INTERNACIONAL

Varejo registra segunda alta consecutiva em julho, mas ‘ainda é cedo’ para falar em melhora, diz Stone

O mês de julho registrou a segunda alta seguida do Índice do Varejo Stone (IVS), que avançou 0,9% no mês…

O mês de julho registrou a segunda alta seguida do Índice do Varejo Stone (IVS), que avançou 0,9% no mês passado frente a junho. Apesar de mais um mês de crescimento, os dados continuam mostrando uma trajetória diferente entre os setores mais dependentes da renda e aqueles mais ligados ao crédito. O economista Guilherme Dias, pesquisador da Stone, afirma que “ainda é cedo” para dizer que o cenário é menos nebuloso, apesar das duas altas seguidas na margem do IVS. No mês passado, quatro dos oito segmentos analisados apresentaram alta, sendo três deles ligados à renda: artigos farmacêuticos (+2,5%), combustíveis e lubrificantes (+2,1%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+1,6%). Além desses, material de construção, em tese mais dependente do crédito, subiu 1% na passagem de junho para julho. Outros quatro segmentos caíram em julho ante junho: tecidos, vestuário e calçados (-4,1%), móveis e eletrodomésticos (-2,2%), livros, jornais, revistas e papelaria (-1,1%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,6%). “Os setores sensíveis à renda crescem mais. Os que dependem mais do crédito ainda caem, pois sentem mais os juros”, afirma Dias. Para ele, o varejo vive hoje a dicotomia de um “colchão” da renda em alta que sustenta o consumo das famílias com um “teto baixo” dos juros reais altos e da inadimplência e endividamento em patamares elevados. De um lado, o consumo se sustenta no emprego e na renda, por outro é limitado pelos fatores que têm impacto na compra de produtos mais caros, adquiridos de forma parcelada. Dias é cauteloso a analisar o IVS sob a perspectiva de duas altas seguidas na margem. Para tanto, ele remete ao resultado anual, no qual o indicador avançou 4,7% na comparação com julho do ano passado. Neste caso, ele ressaltou que houve uma perda de força entre junho e julho, uma vez que a alta anual em junho foi maior, de 5,4%. “Eu não me surpreenderia com agosto negativo, uma vez que a renda e o mercado de trabalho é que estão sustentando as altas do varejo”, diz Dias, para quem a redução acumulada de 1 ponto percentual na taxa Selic — atualmente em 14% ao ano — ainda não se faz notar no barateamento dos financiamentos, uma vez que há uma defasagem entre a redução da taxa pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central e os efeitos na economia real. Dias destaca o desempenho positivo de dois setores específicos. Para ele, surpreende a resiliência do segmento de material de construção, que em tese deveria sofrer mais efeitos dos juros elevados. Além disso, o economista chama a atenção para combustíveis e lubrificantes e aponta para um efeito da maior renda, e consequente maior uso de veículos, mas também para uma possível antecipação de compras por receio de alta de preços em meio a um cenário de conflito no Oriente Médio. Apesar do bom resultado de julho, uma melhora consistente do varejo depende, segundo ele, da queda dos juros reais e dos indicadores de endividamento. “Enquanto não baixar [juros e endividamento], é difícil imaginar um efeito no consumo. Se baixar, pode ter melhora gradual. Mas não vejo uma alta expressiva do IVS este ano”, diz Dias. O Índice do Varejo Stone acompanha mensalmente a movimentação do varejo no país com o objetivo de mapear os dados de pequenos, médios e grandes varejistas e divulgar um retrato do setor nacional. O estudo tem como base a metodologia proposta pelo time de Consumer Finance do Federal Reserve Board (FED), que idealizou um modelo de indicador econômico similar nos Estados Unidos. São consideradas as operações via cartões, voucher e Pix dentro do grupo StoneCo.

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Varejo registra segunda alta consecutiva em julho, mas ‘ainda é…”?
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Thiago Mello

Thiago Mello

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