ECONOMIA

Saída de uma franquia deve ser avaliada antes da assinatura

Em 2025 o setor de franquias no Brasil faturou R$ 301,7 bilhões, crescimento de 10,5% em relação a 2024, com 202.444 unidades operando. Dados da ABF apontam que 4% das unidades foram repassadas e 7,4% encerradas, evidenciando a importância de analisar cláusulas de renovação, transferência e encerramento antes da assinatura do contrato.

O mercado brasileiro de franquias ultrapassou R$ 300 bilhões em faturamento anual pela primeira vez, ampliando o interesse de empreendedores por modelos de negócio associados a marcas já estabelecidas. O crescimento do setor, entretanto, também reforça a necessidade de analisar o que acontece não apenas durante a abertura e a operação, mas no momento de renovar, vender, transferir ou encerrar uma unidade. Dados da Associação Brasileira de Franchising mostram que o setor faturou R$ 301,7 bilhões em 2025, crescimento nominal de 10,5% em relação ao ano anterior. O país encerrou o período com 202.444 operações, 3.297 redes e aproximadamente 1,762 milhão de empregos diretos. De acordo com a entidade, 4% das operações foram repassadas ao longo do ano, enquanto 7,4% foram encerradas. A Lei de Franquias estabelece que o candidato deve receber a Circular de Oferta de Franquia, conhecida como COF, pelo menos dez dias antes da assinatura do contrato, pré-contrato ou pagamento de qualquer taxa. O documento deve apresentar, entre outras informações, balanços da franqueadora, ações judiciais relacionadas ao sistema, relação de franqueados e ex-franqueados, investimento necessário, taxas, fornecedores indicados, prazo contratual e condições de renovação. Na prática, candidatos costumam concentrar a análise no investimento inicial, no prazo estimado de retorno e no potencial de faturamento. Para a empreendedora Maria Carolina Guimarães Lemos, que acumulou mais de cinco anos de experiência na operação de uma unidade do varejo, a estratégia de saída deveria ser examinada com a mesma atenção dada à abertura. “É preciso entender desde o início o que acontecerá se o contrato não for renovado, como a unidade poderá ser vendida e quem terá poder para aprovar o futuro comprador. Se eu tivesse prestado mais atenção a esses detalhes não teria assinado e, por isso, hoje uso meu exemplo para ajudar empreendedores”, afirma. Entre os pontos que merecem atenção estão o direito de preferência da franqueadora, os critérios utilizados para avaliar o negócio, as taxas cobradas em uma transferência e a necessidade de aprovação do candidato à compra. Também é recomendável verificar se o contrato permite que a franqueadora adquira a unidade, em quanto tempo deve responder e quais obrigações continuam válidas enquanto a negociação estiver em andamento. A dependência operacional representa outro fator de risco. Em determinados modelos, o franqueado depende da rede para obter produtos, sistemas, crédito, campanhas, plataformas digitais e autorização para atuar em diferentes canais de venda. “O empreendedor precisa simular o que aconteceria se houvesse mudança no limite de crédito, no abastecimento ou no acesso a ferramentas essenciais. Uma empresa pode ter clientes e demanda, mas ainda assim ficar exposta se toda a operação depender de decisões concentradas em outra parte”, explica Maria Carolina. O prazo de vigência também deve ser comparado ao tempo necessário para recuperar o investimento. Reformas, equipamentos e estrutura física podem ter vida útil superior ao contrato. Por isso, uma expectativa comercial de continuidade não deve substituir a leitura das regras formais de renovação. Cartas de crédito, participação em campanhas futuras e novos pedidos também precisam ser examinados à luz do instrumento contratual. Antes de assinar, a recomendação é consultar um advogado especializado, conversar individualmente com franqueados e ex-franqueados, analisar demonstrações financeiras e simular pelo menos três cenários: continuidade, transferência e encerramento. Em um setor que gera aproximadamente nove empregos diretos por operação, segundo a ABF, compreender as regras de saída ajuda a proteger não apenas o capital do empreendedor, mas funcionários, clientes e a continuidade econômica do negócio.

Perguntas frequentes

Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.

Sobre o que trata “Saída de uma franquia deve ser avaliada antes da assinatura”?
Em 2025 o setor de franquias no Brasil faturou R$ 301,7 bilhões, crescimento de 10,5% em relação a 2024, com 202.444 unidades operando. Dados da ABF apontam que 4% das unidades foram repassadas e 7,4% encerradas, evidenciando a importância de analisar cláusulas de renovação, transferência e encerramento antes da assinatura do contrato.
Por que Economia importa agora?
O tema impacta decisões e debates cotidianos ligados a Economia. A redação destaca fatos, datas e implicações práticas sem substituir orientação profissional personalizada.
Quem edita o conteúdo do Estrato Tech?
A cobertura é produzida e revisada pela equipe editorial do Estrato Tech, com editor-chefe responsável pela linha editorial. Conheça a redação em https://tech.estrato.cc/equipe/.
Quais fontes o Estrato prioriza?
Priorizamos fontes primárias (órgãos oficiais, balanços, estudos revisados, documentos públicos) e cruzamos informações antes da publicação, conforme a política editorial.
Como solicitar correção de uma matéria?
Envie o pedido pela página de Correções (https://tech.estrato.cc/correcoes/) ou Contato (https://tech.estrato.cc/contato/). Erros materiais são corrigidos com registro da atualização.
O conteúdo constitui aconselhamento profissional?
Não. As matérias têm caráter informativo e jornalístico. Decisões financeiras, de saúde, jurídicas ou educacionais devem considerar profissionais habilitados e a sua situação particular.
Onde acompanhar a política editorial do Estrato Tech?
Metodologia, ética e transparência estão em https://tech.estrato.cc/metodologia/, https://tech.estrato.cc/etica-editorial/ e https://tech.estrato.cc/politica-editorial/.
Como o Estrato trata temas sensíveis (YMYL)?
Temas que afetam dinheiro, saúde e bem-estar recebem revisão editorial reforçada, disclaimer visível e links para páginas institucionais de metodologia e correções. Portal: https://tech.estrato.cc/
WhatsApp X LinkedIn
Compartilhar: LinkedIn
Giulia Martins

Giulia Martins

Giulia Martins integra a equipe editorial do Estrato Tech, vertical da rede Estrato, na função de Repórter de Consumo tech. O escopo permanente de cobertura inclui gadgets e plataformas, com atenção ao leitor brasileiro que busca contexto factual, datas oficiais e implicações práticas. Na produção diária, prioriza fontes primárias (órgãos públicos, balanços, papers e documentos oficiais), cruza pelo menos duas referências independentes quando o tema é contestado e evita manchetes que prometam certeza onde há incerteza. Critérios de qualidade: lead com o fato principal, atribuição clara de autoria da equipe Estrato, atualização com selo quando há mudança material e linguagem acessível sem simplificar demais o risco ou o contexto. Trabalha sob revisão da mesa editorial e do editor-chefe do portal. Matérias YMYL recebem segunda leitura antes da publicação e podem ser atualizadas quando surgem novos dados oficiais. Limites: este perfil descreve o papel editorial na marca Estrato. O conteúdo publicado é informativo e não constitui aconselhamento médico, financeiro, jurídico ou profissional personalizado. Transparência ao leitor: metodologia em /metodologia/, ética em /etica-editorial/, correções em /correcoes/, equipe em /equipe/ e canal em /contato/ ([email protected]). Na página-mãe da rede, a bio ampliada e o arquivo de matérias ficam em estrato.cc/blog/, com link para o arquivo do autor em cada portal.

One thought on “Saída de uma franquia deve ser avaliada antes da assinatura”

Deixe um comentário