ECONOMIA

Nostalgia milionária: por que adultos pagam fortunas por brinquedos da infância

Jogos de cartas do Pokémon é inspirado no desenho clássico dos anos 90 Hennzo Pinheiro/Arquivo Pessoal Brinquedos e colecionáveis que…

Jogos de cartas do Pokémon é inspirado no desenho clássico dos anos 90
Hennzo Pinheiro/Arquivo Pessoal
Brinquedos e colecionáveis que fizeram parte da infância de uma geração movimentam hoje cifras que vão muito além do universo infantil. Adultos passaram a gastar grandes quantias para comprar objetos que remetem à infância — e, em alguns casos, essas peças chegam a valer centenas de milhares ou até milhões de reais.
O mercado de cartas de Pokémon é um dos exemplos mais impressionantes. Uma reportagem do jornal “Financial Times” mostrou que, em fevereiro, uma carta Pikachu Illustrator, de 1998, foi vendida por US$ 16,5 milhões (R$ 84,81 milhões), um recorde mundial.
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Outras cartas individuais também foram negociadas por mais de US$ 1 milhão (R$ 5,14 milhões).
Há também casos de cartas compradas por valores baixos que, anos depois, alcançaram preços muito maiores. Uma carta Mario Pikachu, por exemplo, foi vendida recentemente por cerca de £20 mil (R$ 138 mil), depois de ter sido comprada por £30 (R$ 208,20) oito anos antes.
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O dinheiro não vem apenas de grandes colecionadores
Nos últimos anos, quem acompanhou Pokémon desde o início da franquia chegou à faixa dos 30 e 40 anos e passou a ter mais dinheiro disponível para comprar os itens que marcaram sua infância. A nostalgia, nesse caso, se combina com maior poder de compra.
“Essa geração tem como nostalgia o Pokémon”, disse Elliot Cabrol ao Financial Times, comerciante de cartas que trabalha com o produto há mais de 20 anos.
Segundo ele, muitas pessoas compram os itens como forma de reviver a infância.
O tamanho desse mercado também aparece nos valores das negociações.
Jordan Dunne deixou, em 2025, o emprego como analista de dados em um escritório de advocacia para trabalhar com cartas de Pokémon. Ele disse que seu negócio deve chegar a cerca de £4 milhões (R$ 27,76 milhões) em vendas neste ano, contra £1,2 milhão (R$ 8,32 milhões) em 2025.
Em transmissões ao vivo no eBay, ele já vendeu cartas individuais por mais de £2 mil (R$ 13,88 mil) e afirmou que algumas delas podem gerar até £60 mil (R$ 416,4 mil) em vendas em poucas horas.
Em apenas três semanas de agosto, Dunne vendeu três cartas de sua própria coleção por cerca de £300 mil (R$ 2,082 milhões). Um ano antes, havia comprado as mesmas peças por metade desse valor.
O movimento também aparece entre pessoas que não vivem do mercado de colecionáveis. Um carpinteiro de 25 anos, por exemplo, voltou recentemente a colecionar cartas de Pokémon como fazia quando era mais novo.
Ao Financial Times, ele disse que compra conjuntos antigos em estado impecável e os guarda pensando em repassá-los aos filhos no futuro.
O valor das peças está ligado à dificuldade de encontrá-las
As cartas antigas foram produzidas há décadas, e poucas sobreviveram em boas condições. Já as cartas novas continuam sendo produzidas em grandes quantidades, o que torna mais fácil encontrar exemplares semelhantes.
A diferença de preço pode ser enorme até entre cartas praticamente iguais. Uma carta rara de Pikachu foi vendida recentemente por cerca de £250 mil (R$ 1,735 milhão) em estado considerado perfeito, enquanto um exemplar em condições um pouco piores valia aproximadamente £15 mil (R$ 104,1 mil).
O estado das peças ajuda a explicar por que os colecionadores pagam tanto. Empresas especializadas avaliam as cartas em uma escala de 1 a 10, levando em conta detalhes como riscos, bordas danificadas e o posicionamento da imagem.
Uma versão de Pikachu de 2002, por exemplo, tem apenas 35 exemplares avaliados com a nota máxima.
O tamanho do interesse sobrecarregou até o sistema de avaliação das cartas. Em agosto, uma empresa especializada analisou mais de 1,3 milhão de cartas de Pokémon, dez vezes mais do que no mesmo mês de 2021.
Em maio, a empresa chegou a interromper o recebimento de cartas de menor valor por falta de capacidade.
A procura também aparece em eventos
Uma feira de cartas realizada em Farnborough, na Inglaterra, recebeu 10 mil pessoas em 2026, o dobro do ano anterior. Alguns compradores carregavam caixas trancadas com códigos personalizados e milhares de libras em dinheiro. Comerciantes chegaram a evitar divulgar seus nomes por medo de roubos.
Esse tipo de preocupação não é apenas teórica. Uma loja de colecionáveis em Londres foi invadida, e cartas de alto valor e outros produtos foram roubados.
No ano anterior, um homem foi preso em Manchester depois que policiais encontraram com ele um conjunto de cartas de Pokémon roubadas avaliado em £250 mil (R$ 1,735 milhão).
E no Brasil?
Os colecionadores brasileiros também gastam grandes quantias com itens raros e nostálgicos. O empresário Paulo de Carvalho, de 45 anos, começou a colecionar brinquedos antigos ainda na adolescência.
Hoje, ele tem um galpão em Cubatão (SP) com aproximadamente cinco mil itens que remetem à sua infância.
O empresário contou ao g1 que tinha 13 anos quando começou a vender antiguidades com o avô, que era colecionador de moedas e cédulas.
“Tive uma infância difícil e vi a paixão que ele tinha. Isso me fez pensar: ‘Por que não colecionar brinquedos da minha infância que eu não pude ter?'”, explicou Paulo.
Colecionador Paulo de Carvalho, de 45 anos, com a espada que sonhava ter quando era criança
Abner Reis/TV Tribuna
A mesma lógica de nostalgia aparece em produtos mais recentes e baratos, como Funko Pop, Lego, Sylvanian Families, Hot Wheels, Star Wars e jogos de tabuleiro, como War.
Um exemplo atual é a coleção de bonecos de Dragon Ball Z lançada pelo Burger King. O conjunto com os seis bonecos foi anunciado em 31 de agosto como uma ação promocional da rede de fast-food e, menos de 15 dias depois, já era vendido em outros sites por R$ 299,90.
Todas essas histórias têm um elemento em comum: personagens que fizeram parte da infância dos compradores passaram a representar algo mais do que um brinquedo.
Para parte desse público, comprar esses objetos não significa necessariamente voltar a brincar. É uma maneira de guardar uma lembrança da própria infância — e, em alguns casos, de transformar essa lembrança em um item pelo qual outras pessoas também estão dispostas a pagar muito dinheiro.
Pokémon é tema de exposição em shopping de Salvador
Divulgação

Fonte: G1 Economia

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Nostalgia milionária: por que adultos pagam fortunas por brinquedos da…”?
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