ECONOMIA

Por que a cafeína deixa algumas pessoas em alerta e outras não sentem nada?

IPCA: café acumula queda de quase 17% nos últimos 12 meses “O café simplesmente não tem muito efeito sobre mim”,…

IPCA: café acumula queda de quase 17% nos últimos 12 meses “O café simplesmente não tem muito efeito sobre mim”, diz Emily, de 20 anos, ao sair de um café no centro de Londres no fim da tarde. “Normalmente tomo duas xícaras por dia e talvez uma bebida energética também. E aí posso beber Coca-Cola a noite toda e me sentir perfeitamente bem.” Todos nós temos uma amiga como a Emily. Aquela que consegue tomar um café expresso duplo ou até mesmo um energético à noite e ainda assim pegar no sono uma hora depois. Para muitas pessoas, no entanto, os efeitos da cafeína podem persistir por muito mais tempo. Então, por que algumas pessoas conseguem tomar café antes de dormir e dormir como bebês, enquanto outras ficam acordadas olhando para o teto? O que é exatamente a cafeína? A cafeína é, de longe, a substância psicoativa mais consumida do mundo. Mais de dois bilhões de xícaras de café são consumidas todos os dias, e isso antes mesmo de começarmos a falar de refrigerantes, bebidas energéticas, além de chocolates, chicletes e suplementos esportivos, que também contêm a substância química. Ela pode nos fazer sentir mais alertas, melhorar a concentração e afastar o cansaço. Em excesso, pode causar dores de cabeça, nervosismo, aceleração dos batimentos cardíacos e noites mal dormidas. Segundo especialistas, a cafeína não fornece energia extra ao corpo, mas ajuda a mascarar o cansaço. Ela faz isso bloqueando a ação da adenosina, uma substância química que se acumula no cérebro ao longo do dia e nos faz sentir sono. Por que isso afeta as pessoas de maneiras diferentes? Um fator crucial é o tempo que a cafeína permanece no organismo. Após beber uma xícara de café, ele é absorvido pela corrente sanguínea, chegando rapidamente ao cérebro. Durante todo esse tempo, o café também está sendo decomposto – ou metabolizado – por uma enzima no fígado e, em seguida, eliminado na urina. Esse processo de limpeza pode levar de seis a 20 horas, dependendo da pessoa, afirma Marilyn Cornelis, professora associada de nutrição da Universidade Northwestern, em Chicago. “É possível tomar a primeira xícara de café e talvez não sentir os efeitos”, diz ela. “Mas duas ou três horas depois, a cafeína ainda está presente no organismo e, se você tomar uma segunda xícara, isso pode ser o suficiente para desequilibrar a balança e você começar a se sentir um pouco ansioso.” A rapidez com que o fígado processa a cafeína depende de um único gene – conhecido como CYP1A2. Curiosamente, isso pode ser influenciado, pelo menos em certa medida, pela sua ancestralidade. Um estudo publicado este ano constatou que europeus e sul-americanos tendem, em média, a metabolizar a cafeína mais rapidamente. Que outros fatores estão em jogo? Seu DNA está longe de ser toda a história. Fumar, mas provavelmente não os cigarros eletrônicos, parece estimular o fígado a metabolizar a cafeína muito mais rapidamente, acelerando o processo em até 65%. Isso pode ajudar a explicar por que os fumantes tendem a beber mais café e por que as pessoas que param de fumar podem, de repente, achar que sua xícara de café habitual parece muito mais forte do que antes. Alguns antibióticos, pílulas anticoncepcionais e outros medicamentos prescritos podem ter o efeito oposto, permitindo que a cafeína permaneça retida no corpo por mais tempo e prolongando seus efeitos. Isso também acontece durante a gravidez, quando as alterações hormonais suprimem a enzima hepática que metaboliza a cafeína. Depois, surge a questão da tolerância. Quem bebe café regularmente torna-se menos sensível à cafeína à medida que o corpo se adapta à presença da substância. Se você ficar sem a bebida por algumas semanas, essas adaptações no cérebro começam a se reverter, o que significa que o primeiro café após a recaída pode fazer você se sentir excepcionalmente agitado ou nervoso. O que recomendam os especialistas? Pesquisadores do sono costumam recomendar evitar cafeína por pelo menos seis horas antes de dormir. Lindsay Browning, psicóloga e especialista em sono, afirma que as evidências sugerem que a cafeína pode não apenas impedir que você adormeça, mas também afetar a qualidade do sono. “Costumo sugerir às pessoas que evitem a cafeína depois de cerca das 14h se forem dormir por volta das 22h”, diz ela. “Mas uma regra rígida e inflexível não é útil, porque não leva em consideração as complexidades e a individualização do que realmente está acontecendo.” O NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) aconselha as mulheres grávidas a manterem a ingestão de cafeína abaixo de 200 mg por dia, o equivalente a cerca de duas xícaras de café coado, pois estudos associaram o consumo excessivo de cafeína a baixo peso ao nascer e outras complicações. Para outros adultos, a mensagem principal é a moderação, já que a sensibilidade à cafeína varia muito de pessoa para pessoa. “A cafeína é relativamente segura”, afirma Peter Rogers, professor emérito de nutrição da Universidade de Bristol. “Se você consumir uma grande quantidade, começará a se sentir agitado e indisposto, e perceberá: ‘Preciso parar com isso, não adianta tomar mais’.” As overdoses de cafeína são muito raras e os envenenamentos graves quase sempre envolvem produtos com alta concentração de cafeína, onde vários gramas podem ser ingeridos em questão de minutos. Para os amantes de café, a boa notícia é que, na verdade, esse hábito matinal regular (embora caro) está associado a melhores resultados de saúde. Embora os pesquisadores não possam provar que o café seja o único motivo, décadas de estudos sugerem que as pessoas que o consomem com moderação tendem a ter menor risco de diversas doenças graves e podem até viver um pouco mais do que as não consumidoras. Imagem ilustrativa de xícara com café e grãos de café reprodução

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Por que a cafeína deixa algumas pessoas em alerta e…”?
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Amanda Siqueira

Amanda Siqueira

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