INTERNACIONAL

Trump terá agenda intensa de reuniões na ONU com guerras no Irã e na Ucrânia na pauta

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá nesta terça-feira uma intensa agenda de reuniões com líderes de quatro continentes…

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá nesta terça-feira uma intensa agenda de reuniões com líderes de quatro continentes na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), tendo como pano de fundo um Oriente Médio instável e uma guerra na Ucrânia que já dura quatro anos e meio e não dá sinais de arrefecer, apesar das repetidas tentativas de mediação do chefe da Casa Branca.

Trump deve começar o dia com um discurso aos delegados reunidos na Assembleia Geral antes de se encontrar com nada menos que 11 líderes mundiais, em reuniões bilaterais ou em grupo. Embora o conteúdo de seu discurso seja desconhecido, Trump causou repercussão no ano passado com uma fala combativa, na qual afirmou que os países presentes estavam “indo para o inferno” devido, entre outras coisas, às políticas climáticas e à imigração em massa.

Mais tarde, Trump se reunirá com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, e representantes dos países do Golfo — Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã, Bahrein, Kuwait e Catar.

À noite, ele poderá se encontrar, ainda que brevemente, com dezenas de outros líderes durante uma recepção. Trump se reuniu com o presidente da França, Emmanuel Macron, na segunda-feira. Novos compromissos ainda podem ser acrescentados à sua agenda desta terça-feira.

A longa lista de encontros com líderes estrangeiros reflete o foco do presidente americano em assuntos internacionais durante seu segundo mandato, período em que iniciou várias guerras, colocou em dúvida alianças de longa data, ameaçou aliados com invasões e tentou mediar bem mais de uma dezena de conflitos, com resultados variados.

A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã tem tido consequências particularmente significativas, elevando os preços dos combustíveis em todo o mundo, pressionando para baixo os índices de aprovação de Trump e representando um desafio para os republicanos que disputam as eleições de meio de mandato para o Congresso em novembro. Na segunda-feira, uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que a aprovação de Trump caiu para a mínima histórica de 32%, à medida que aumentou entre seus correligionários republicanos a insatisfação com a forma como ele lida com o custo de vida.

Entre os encontros que serão acompanhados de perto está a reunião de Trump com os líderes dos seis países do Golfo, muitos dos quais estão alarmados com os recentes avanços dos houthis, militantes apoiados pelo Irã que conquistaram grandes áreas do Iêmen, atacaram a Arábia Saudita, aliada de Washington, e ameaçaram a navegação pelo estratégico Estreito de Bab el-Mandeb.

Aliados e adversários políticos também acompanharão de perto o primeiro encontro de Trump com Rodríguez, da Venezuela, que chegou ao poder com o aval do governo Trump depois que forças americanas capturaram o presidente Nicolás Maduro em janeiro e o levaram a Nova York para responder a acusações de tráfico de drogas.

Aliados de Trump afirmam que os EUA estão trabalhando com Rodríguez para abrir o setor petrolífero venezuelano aos investimentos americanos, mas democratas e alguns republicanos dizem que o governo não fez o suficiente para pressionar pela realização de novas eleições no país sul-americano.

Durante a reunião com os líderes da Dinamarca e da Groenlândia, território autônomo dinamarquês, Trump assinará um acordo destinado a ampliar a presença militar dos Estados Unidos na ilha e, ao mesmo tempo, limitar a de adversários geopolíticos. Autoridades dinamarquesas e groenlandesas esperam que o acordo coloque fim às declarações anteriores de Trump sugerindo que poderia tomar a Groenlândia pela força.

Fonte: Valor Econômico

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Thiago Mello

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