ECONOMIA
PF adia depoimento de André Esteves como testemunha em investigação sobre Banco Master e servidores do BC
A Polícia Federal adiou o depoimento do sócio sênior e presidente do conselho de administração do BTG Pactual, André Esteves,…

A Polícia Federal adiou o depoimento do sócio sênior e presidente do conselho de administração do BTG Pactual, André Esteves, como testemunha na investigação sobre a suposta atuação de servidores do Banco Central para favorecer os interesses do Banco Master. O depoimento estava marcado para hoje, mas foi postergado atendendo a um pedido da defesa de Esteves, que teria alegado compromissos profissionais do banqueiro hoje para pedir a remarcação da data, que ainda não foi confirmada.
A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, e já está avançada, mas os investigadores decidiram ouvir mais pessoas após os nomes virem à tona em depoimentos dos ex-diretores do BC investigados, Belline Santana e Paulo Sergio Neves de Souza. Neste contexto, a PF agendou para esta semana depoimentos de Esteves, do presidente do BC, Gabriel Galípolo, do ex-presidente da autoridade monetária Roberto Campos Neto e o diretor de fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino. Todos devem ser ouvidos como testemunha, isto é, não são investigados, e as datas podem ser remarcadas caso surja algum imprevisto ou demanda das defesas.
Neste inquérito, a PF investiga as suspeitas de que os dois servidores do BC teriam atuado para favorecer os interesses do Banco Master mesmo sendo responsáveis por fiscalizar a instituição financeira, que acabou sendo liquidada pela autoridade monetária em novembro de 2025.
As investigações apontam ainda que os dois receberam valores milionários do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, enquanto atuavam no BC. Eles foram afastados da autarquia em março deste ano por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante as investigações da PF.
Os dois negam as acusações e já foram ouvidos pela PF ao longo da investigação. Como revelaram novas informações, a corporação considerou ser necessário tomar novos depoimentos das testemunhas.
Como revelou o Valor, em seu depoimento à PF em julho deste ano, Paulo Sérgio Neves de Souza disse que Ailton Aquino teria sido omisso e teria dito para ele “jogar parado” na fiscalização do Master em 2024. Ele, que também já foi diretor de fiscalização do BC, relatou, ainda, que teria tomado conhecimento das suspeitas sobre o Master por meio de uma “due diligence” realizada pelo BTG.
Segundo Souza, o BC, em setembro de 2024, havia decidido fazer um trabalho de análise das carteiras do Banco Master, mas como naquele momento o então futuro presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, estava em processo de sabatina no Congresso Nacional, Aquino teria dito ao então servidor para “jogar parado”. “Assim que o Gabriel Galípolo virar presidente, a gente vai resolver o problema do Banco Master”, teria dito Aquino a Souza, segundo o depoimento. Àquela época, o ponto de preocupação era o nível de provisionamento do portfólio.
Enquanto isso, o BTG Pactual estava analisando a possibilidade de comprar o Banco Master. O BC vinha buscando uma solução de mercado para a instituição de Vorcaro e o BTG aceitou analisar os números. Souza contou à PF que, no dia 29 de novembro de 2024, recebeu uma ligação de Aquino informando que o BTG descobriu uma fraude de R$ 32 bilhões no Banco Master em seu processo de “due diligence”.
O BTG teria feito uma apresentação para o BC em São Paulo, no dia 3 de dezembro de 2024, com a presença de Souza; de Aquino; do então diretor de organização do sistema financeiro, Renato Gomes; do então diretor de política econômica, Diego Guillen; e do então presidente do BC Roberto Campos Neto.
A reportagem entrou em contato com a assessoria do BTG, mas ainda não obteve retorno.
André Esteves, sócio sênior do BTG Pactual
Tuane Fernandes/Bloomberg
Fonte: Valor Econômico
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