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Hackers roubam US$ 320 milhões em Bitcoin da Liquid Network

A Liquid Network, sidechain de Bitcoin mantida pela Blockstream, sofreu um incidente de segurança no domingo (6) que levou à…

A Liquid Network, sidechain de Bitcoin mantida pela Blockstream, sofreu um incidente de segurança no domingo (6) que levou à retirada de cerca de 4.000 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 320 milhões, da carteira da federação que lastreia o token L-BTC. A rede foi pausada após o ataque, e exchanges foram orientadas a suspender depósitos e saques do ativo enquanto o caso era investigado.

A Liquid é uma rede paralela ao Bitcoin criada para permitir transferências mais rápidas e confidenciais, além da emissão de ativos digitais. Na prática, bitcoins ficam bloqueados na rede principal e são representados na Liquid por L-BTC, um token lastreado nesses BTC. Por isso, a retirada atingiu diretamente a carteira que sustentava esse lastro.

Segundo a Liquid, os responsáveis pelo incidente se apresentaram como “white hats”, termo usado para hackers éticos que exploram falhas com o objetivo de alertar projetos antes que criminosos possam se aproveitar delas. Ainda assim, a forma como a operação ocorreu gerou dúvidas no mercado, já que cerca de 95% das reservas de Bitcoin reportadas pela rede foram retiradas de uma só vez.

O saque passou pelo serviço de peg-out da SideSwap, membro da federação autorizado a processar retiradas da rede. A Liquid afirmou que a chave usada nesse processo não foi comprometida, e a SideSwap também disse que seus sistemas não foram invadidos. A suspeita, segundo as informações divulgadas, é de uma falha no Elements, software de código aberto usado pela Liquid.

Em uma transação na blockchain do Bitcoin, os responsáveis deixaram uma mensagem dizendo que eram “white hats” e pediram contato on-chain. Depois disso, Blockstream e os hackers passaram a trocar mensagens assinadas por meio de transações em Bitcoin.

O caso chama atenção porque não se tratou de um roubo direto de chaves da federação, segundo a própria Liquid. A leitura inicial é que alguém conseguiu criar L-BTC sem o Bitcoin correspondente em garantia e depois resgatar BTC reais por meio de uma saída aparentemente válida da rede.

Hackers devolvem US$ 270 milhões

Na segunda-feira (7), os responsáveis pelo incidente devolveram 3.400 BTC, cerca de US$ 269 milhões a US$ 270 milhões, para a carteira da federação da Liquid. A devolução recuperou aproximadamente 85% dos recursos retirados.

A transferência ocorreu depois que a Blockstream enviou uma mensagem assinada afirmando que os nós de ponte da Liquid haviam sido corrigidos e que os fundos já poderiam ser devolvidos com segurança. Antes disso, os hackers haviam dito que a rede seguia em risco e que transfeririam o dinheiro de volta após a correção da falha e a atualização dos nós.

Apesar da devolução parcial, cerca de 598,5 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 47 milhões, ainda permanecem no endereço ligado ao saque. A Liquid ainda não informou se esse valor será devolvido, como pretende cobrir eventual diferença no lastro do L-BTC ou quando a rede e seus serviços de peg voltarão a operar normalmente.

A classificação dos responsáveis como “white hats” também segue em debate. Charles Guillemet, diretor de tecnologia da Ledger, questionou a versão após a devolução parcial dos fundos e afirmou que, se houve uma recompensa negociada para manter parte dos recursos, o caso se pareceria mais com extorsão do que com hacking ético.

A Blockstream disse que uma atualização de software foi implementada e que os membros da federação se preparam para uma retomada coordenada da rede. Outros ativos emitidos na Liquid, como USDT, DePix e ativos do mundo real, não teriam sido afetados diretamente pelo incidente, embora carteiras e operações com L-BTC tenham sido impactadas pela pausa.

O episódio reforça um ponto sensível para redes que funcionam como pontes ou camadas paralelas ao Bitcoin: mesmo quando a rede principal não é afetada, falhas em mecanismos de conversão, custódia ou lastro podem movimentar valores bilionários e colocar em risco a confiança dos usuários. No caso da Liquid, a devolução de boa parte dos bitcoins reduz o prejuízo imediato, mas ainda deixa perguntas abertas sobre a falha, o valor restante e a retomada completa das operações.

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Na segunda-feira (7), os responsáveis pelo incidente devolveram 3.400 BTC, cerca de US$ 269 milhões a US$ 270 milhões, para a carteira da federação da Liquid. A devolução recuperou aproximadamente 85% dos recursos retirados. A transferência ocorreu depois que a Blockstream enviou…
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Pedro Han

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