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Criptomoeda pode subir 70 vezes até 2030, diz Standard Chartered; saiba qual

O Standard Chartered iniciou a cobertura da criptomoeda Arbitrum (ARB) com uma das projeções mais otimistas para o token: o…

O Standard Chartered iniciou a cobertura da criptomoeda Arbitrum (ARB) com uma das projeções mais otimistas para o token: o banco estima que o ativo pode chegar a US$ 10 até o fim de 2030, cerca de 70 vezes o preço atual, na faixa de US$ 0,13 a US$ 0,14. A principal aposta está no avanço da tokenização e no uso da tecnologia da Arbitrum por instituições financeiras tradicionais, com destaque para a nova blockchain da Robinhood.

O banco também traçou uma trajetória para os próximos anos. A projeção é de US$ 0,50 no fim de 2026, US$ 1,50 em 2027, US$ 3,50 em 2028, US$ 6,50 em 2029 e, finalmente, US$ 10 em 2030. Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered, avalia que, nesse cenário, o ARB pode inclusive superar o desempenho do Bitcoin e do Ethereum no período.

O Standard Chartered projeta, para comparação, o Bitcoin a US$ 100 mil no fim de 2026 e US$ 500 mil em 2030, enquanto o Ethereum poderia chegar a US$ 4 mil neste ano e US$ 40 mil no fim da década.

A Arbitrum é conhecida principalmente como uma rede de segunda camada do Ethereum, criada para processar transações com mais velocidade e custos menores. Nos últimos anos, porém, o ecossistema ampliou sua estratégia e passou também a fornecer tecnologia para empresas criarem suas próprias blockchains, algo que o Standard Chartered considera central para a valorização futura do ARB.

O token reagiu ao relatório e subia quase 7% em 24 horas, mesmo em um dia de queda mais ampla do mercado de criptomoedas.

Robinhood vira peça central da aposta

O principal exemplo citado pelo banco é a Robinhood Chain, blockchain lançada em 1º de julho usando a infraestrutura tecnológica da Arbitrum. Pelo modelo do Arbitrum Expansion Program (AEP), redes construídas com essa tecnologia e que liquidam fora da Arbitrum devolvem 10% de sua receita líquida de protocolo ao ecossistema.

Segundo o Standard Chartered, o lançamento da Robinhood Chain elevou a receita mensal estimada da Arbitrum para aproximadamente US$ 5 milhões, mais de cinco vezes o nível registrado antes da estreia da rede. Nas duas primeiras semanas de setembro, a blockchain da Robinhood gerou em média US$ 2,8 milhões por dia em taxas, segundo cálculos do banco.

Em julho, primeiro mês completo da operação, a Robinhood Chain pagou aproximadamente US$ 360 mil em taxas de licenciamento, equivalentes a 35% da receita da Arbitrum DAO no período. A própria Arbitrum Foundation confirmou que o programa de expansão exige o repasse de 10% da receita líquida das redes participantes.

Para Kendrick, o desempenho inicial aumenta a chance de outras instituições financeiras seguirem o mesmo caminho. “O recente lançamento da Robinhood Chain demonstrou o potencial da Arbitrum para se tornar a escolha número um da TradFi ao levar ativos para blockchain”, escreveu o analista.

O Standard Chartered acredita que essa tese ganhará força com a tokenização. O banco projeta que o mercado de ativos tradicionais tokenizados passe dos atuais cerca de US$ 340 bilhões para US$ 4 trilhões até o fim de 2028. Somente as ações tokenizadas poderiam atingir US$ 750 bilhões.

A aposta é que bancos, corretoras e outras empresas não necessariamente usem apenas uma blockchain pública como a Arbitrum One, mas criem redes próprias sobre a tecnologia da Arbitrum — gerando taxas recorrentes para o ecossistema.

A estratégia já vai além da Robinhood. A Arbitrum Foundation cita iniciativas envolvendo Mastercard, PayPal e LG, além de informar que a rede movimentou em média mais de US$ 70 bilhões por mês em transferências de stablecoins no primeiro semestre de 2026.

Mas há um problema

Apesar da projeção otimista, o próprio Standard Chartered destaca um ponto importante: quem possui ARB atualmente não tem direito direto às receitas geradas pela Arbitrum.

No caso da Robinhood Chain, 10% da receita líquida é destinada ao ecossistema da Arbitrum, mas, segundo a CoinDesk, 8% vão para o tesouro da DAO e 2% para um fundo de desenvolvedores. Hoje, esse dinheiro não é distribuído diretamente aos detentores do token.

Esse é um dos principais riscos da tese do banco. Para que o crescimento da receita se traduza em valorização sustentável do ARB, o mercado terá de atribuir maior valor ao token pelo papel que ele exerce na governança e no ecossistema — ou eventualmente surgir algum mecanismo mais direto de captura de valor.

Há ainda outros riscos. O Standard Chartered cita uma expansão mais lenta que o esperado da tokenização, concorrência de blockchains rivais e incerteza regulatória nos Estados Unidos, incluindo a tramitação do Clarity Act.

A atividade inicial da Robinhood Chain também não veio apenas da tokenização de ações. Memecoins, plataformas de lançamento de tokens e aplicativos de negociação responderam por parte relevante do movimento recente, mesmo que a tese de longo prazo da rede esteja concentrada em ativos financeiros tradicionais.

Outro ponto de atenção no curto prazo é a oferta. Cerca de 92,6 milhões de ARB estão programados para serem desbloqueados em 16 de setembro, aumentando a quantidade de tokens disponíveis no mercado. Além disso, a Robinhood vem subsidiando por 90 dias as taxas de usuários de sua carteira, benefício que deve terminar no fim de setembro e pode alterar o nível de atividade observado até agora.

Ainda assim, a tese do Standard Chartered é que a Arbitrum está deixando de depender apenas do uso de sua própria rede e construindo um negócio de infraestrutura para outras blockchains. Se instituições tradicionais seguirem o exemplo da Robinhood, o banco acredita que as receitas podem crescer rapidamente — e que o mercado acabará atribuindo um valor muito maior ao ARB.

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Perguntas frequentes

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Giulia Martins

Giulia Martins

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