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Lojas de conveniência na China perdem clientes para aplicativos de entrega

As lojas de conveniência chinesas estão perdendo clientes de forma constante, segundo dados recentes do setor, à medida que aplicativos…

As lojas de conveniência chinesas estão perdendo clientes de forma constante, segundo dados recentes do setor, à medida que aplicativos de entrega rápida e de baixo custo redefinem o próprio conceito de conveniência para os consumidores.

No primeiro semestre do ano, 72% das redes de lojas de conveniência relataram uma queda no número de clientes em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com uma pesquisa realizada neste verão pela Associação de Redes de Lojas e Franquias da China (CCFA). Esse índice é quase o dobro dos 37% que registraram quedas na pesquisa do ano anterior.

Metade dos entrevistados relatou queda nas vendas, e apenas um quarto registrou aumento no lucro líquido. A pesquisa ouviu 60 empresas associadas que operam lojas de conveniência.

Segundo a CCFA, o fluxo médio diário de clientes nas lojas de conveniência foi de 284 no ano passado, uma queda de quase 20% em relação a 2023, período inicial da recuperação pós-COVID-19.

O gasto médio dos clientes caiu mais de 20% em comparação com 2022. As vendas diárias por loja registraram queda por seis anos consecutivos até 2025.

Em comparação com o Japão, a consolidação das lojas de conveniência em grandes redes não avançou tanto na China. Muitas lojas não implementaram melhorias na eficiência operacional, como a introdução de caixas de autoatendimento.

Embora o governo incentive aumentos salariais para os funcionários, a gestão das redes e franquias enfrenta pressões crescentes.

O mercado de lojas de conveniência na China expandiu-se paralelamente ao crescimento econômico geral e à urbanização do país. No final do ano passado, as 100 maiores redes contavam com uma rede de 207.510 unidades, quase quatro vezes o número existente no Japão.

Embora as lojas de conveniência tenham se promovido como opções próximas e práticas, elas ainda assim exigem o deslocamento do cliente, ao contrário dos aplicativos, que entregam em domicílio. Esse serviço ganhou tração sobretudo durante a pandemia de covid-19.

Segundo o Ministério do Comércio da China, o mercado de serviços de varejo com entrega imediata movimentou 117,9 bilhões de yuans (US$ 17,6 bilhões) em 2019, antes da pandemia. Esse valor quadruplicou nos três anos seguintes e a previsão é que ultrapasse 1 trilhão de yuans em 2026.

Para avaliar o nível de conveniência oferecido pelos aplicativos de entrega imediata, o Meituan — uma das principais opções do mercado — foi testado em meados de setembro na cidade de Dalian, província de Liaoning. Os pedidos incluíam bebidas, itens de uso diário e eletrodomésticos de diferentes estabelecimentos.

As bebidas foram entregues mais rapidamente. Um pedido feito a uma loja de bebidas situada a menos de 1 quilômetro do endereço de entrega, no centro de Dalian, chegou em cerca de 6 minutos. A taxa de entrega, incluindo a opção de prioridade, foi de apenas 4,8 yuans (menos de um dólar). Itens de uso diário vindos de uma farmácia a mais de 2 quilômetros de distância chegaram em cerca de 12 minutos, com uma taxa de entrega de 2,8 yuans na modalidade prioritária.

A rapidez e o baixo custo dos serviços de entrega imediata na China devem-se ao enorme contingente de trabalhadores da “gig economy” (economia de bicos ou trabalhos sob demanda). Somando-se os motoristas de entrega e de transporte por aplicativo, estima-se que existam cerca de 100 milhões desses trabalhadores em toda a China, tornando-se parte integrante da paisagem urbana.

A atual desaceleração econômica tem sido apontada como um fator que leva muitos jovens a ingressar nessa força de trabalho, após não conseguirem os empregos que desejavam ao se formarem na faculdade.

As lojas de conveniência tentam recuperar a demanda perdida para os serviços de entrega imediata passando a aceitar pedidos via aplicativos. No entanto, até 2025, menos de 40% dessas lojas ofereciam o serviço de entrega imediata. Por sua própria natureza, as lojas de conveniência possuem um sortimento de produtos limitado devido ao espaço físico reduzido, o que dificulta a concorrência com supermercados e lojas especializadas no segmento de entrega imediata.

Uma maneira de reconquistar clientes seria oferecer produtos exclusivos, disponíveis apenas na própria rede. No entanto, a participação de produtos de marca própria nas vendas do setor de lojas de conveniência na China é inferior a 5%, em comparação com a faixa de 40% a 50% registrada nas lojas de conveniência japonesas.

Fonte: Valor Empresas

Perguntas frequentes

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Thiago Mello

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